A poetisa tinha por nome completo FLORBELA D'ALMA DA CONCEIÇÃO LOBO ESPANCA. Em família era tratada pelo diminutivo de Bela.
Na sua vida tudo parece ligar-se ao dia 8 de Dezembro. Neste dia nasceu em 1894; neste dia casou pela primeira vez, civilmente, em 1913, e, neste dia (na noite de 7 para 8 de Dezembro), faleceu, em 1930, com 36 anos de idade.
Era filha de João Maria Espanca e de Antónia da Conceição Lobo. João Maria era casado com Maria Toscano, mas, como deste casamento não houvesse filhos, estabeleceu uma relação com Antónia e dessa relação nasceram dois filhos: Florbela e Apeles. Mas cedo a mãe de Florbela trocou João Espanca por outro homem, vindo viver para Évora. Os dois filhos ficaram com o pai e com a mulher deste, Maria Toscano, que se transforma em mãe adoptiva.
Ao atingir a idade escolar, Florbela frequenta o colégio de Dona Ana Leocádia, em Vila Viçosa. Ao concluir a 4ª classe, transita para a escola secundária do professor Romeu, que frequenta até concluir o 3º ano, o que acontece até 1907. No 4º ano vem para Évora para o Liceu André de Gouveia. Com ela vem toda a família que se instala na Rua de Avis, nº16.
Florbela foi das primeiras mulheres a frequentar o liceu eborense. Foi aluna do Liceu de Évora até 1912. Em 8 de Dezembro de 1913 - o dia dos seus 19 anos - casa-se civilmente com Alberto Moutinho, seu colega de liceu. O primeiro casamento fracassou, e segue-se um segundo casamento com António Guimarães, que teve a mesma sorte. Em Outubro de 1925, então com 31 anos, casa-se pela terceira vez, em Matosinhos, com Mário Lage. A sua relação com Mário Lage degrada-se também. Chegou ainda a ter uma ligação com Luís Maria Cabral, médico e pianista, mas que já não deu em casamento.
Afecto permanente e inalterável ao longo da vida foi o irmão, Apeles da Rocha Espanca. Este também frequentou o Liceu de Évora, onde anos mais tarde seria recordado por uma placa evocativa que ainda ali permanece, no átrio da entrada principal do edifício, agora Universidade. Em 6 de Junho de 1927, Apeles Espanca, piloto aviador, morre, quando o avião em que seguia se despenha nas águas do Tejo. A partir daí, o precário equilíbrio interior de Florbela ficou definitivamente comprometido. Nunca mais voltaria a recuperar.
Em Agosto de 1928, cerca de um ano depois da morte do irmão, Florbela Espanca tenta suicidar-se. Segue-se uma segunda tentativa de suicídio em Novembro de 1930. No dia 8 de Dezembro desse mesmo ano, no dia do seu aniversário (já o seu casamento se havia realizado nesse mesmo dia) foi encontrada morta no quarto em Matosinhos. Debaixo do colchão foram encontrados dois frascos de Veranol.


